CONDER recupera igreja do século XVIII em Banzaê

Área de Atuação
Equipamentos e Qualificação Urbanística
Igreja da Ascenção do Senhor, em Banzaê. Foto: Alberto Coutinho/GOVBA
Igreja da Ascenção do Senhor, em Banzaê. Foto: Alberto Coutinho/GOVBA

O governador Rui Costa esteve hoje (02) em Banzaê, nordeste baiano, e o roteiro de entregas na região incluiu um importante marco histórico: a Igreja da Ascensão do Senhor, no povoado de Mirandela, terra dos indígenas Kiriri. A edificação construída em 1701 é tombada como patrimônio cultural pelo IPAC e foi totalmente recuperada pela CONDER, em um cuidadoso trabalho de recuperação arquitetônica que faz jus à sua rica história. A intervenção teve investimento da ordem de R$500 mil, recurso estadual. 

Devido à degradação avançada do prédio, o trabalho foi grande. O telhado foi totalmente refeito, assim como o piso da maior parte da edificação, que retomou o aspecto original com o revestimento em tijoleira. As janelas e portas laterais e da sala do coro foram refeitas; o púlpito lateral, mezzanino e guarda corpo da sala do coro também, além da inserção de instalação elétrica e iluminação, que não existiam no prédio. As portas da fachada principal foram totalmente restauradas e o entorno do prédio ganhou uma requalificação dos passeios e implantação de grama. 

O Presidente da CONDER, José Trindade, comemorou a entrega, "é mais um equipamento importante recuperado pela CONDER e entregue à população. Nosso trabalho pode ser visto por todo o estado em várias áreas que impactam a vida do baiano. São obras que levam desenvolvimento, infraestrutura e também cultura". O Diretor de Equipamentos e Qualificação Urbanística da CONDER Cláudio Vidal, ressalta a importância da obra, “é uma intervenção que, pelo valor histórico e cultural, foi feita com todo cuidado e em diálogo com o IPAC. Estamos muito satisfeitos com o resultado final e orgulhosos de recuperar esse equipamento tão importante não só para Banzaê, mas também para o patrimônio cultural do estado”, comemora. 

"A principal preocupação do projeto foi preservar as características originais da igreja, sempre que possível, e substituir o que estivesse em grau avançado de degradação, para torná-la segura para o uso dos visitantes e frequentadores. Todas as decisões do projeto foram tomadas conversando com o IPAC, que acompanhou o desenvolvimento desse nosso trabalho, a fim de assegurar a integridade da edificação, reconhecendo seu valor arquitetônico e cultural”, explica Fernanda Mello, arquiteta da CONDER que colaborou no projeto em diálogo com o IPAC e Instituto Cátedra. 

O arquiteto Aníbal Garrido, que fiscalizou a obra pela CONDER, explica que houve um cuidado especial com o revestimento das paredes, utilizando reboco a base de argamassa de cal e pintura com tinta sílica-mineral, buscando reproduzir ao máximo o aspecto dos materiais utilizados originalmente. As lâmpadas utilizadas também são especiais, sem a emissão de radiação ultravioleta que resseca e danifica materiais presentes em edificações históricas. Já a instalação elétrica foi feita através de tubulações externas para não danificar as paredes originais. 

Histórico 

A construção da Igreja da Ascenção do Senhor, no início do século XVIII, foi determinada pelo padre Francisco de Matos e executada por indígenas do povo Kiriri, ocupantes originais do território que, a partir de 1695, passaram a viver aldeados na colônia jesuíta do Saco do Morcego. Desde 1995, o povo Kiriri retomou seu território originário, homologado como Terra Indígena, e as lideranças locais defendem a preservação do conjunto arquitetônico que hoje carrega grande carga simbólica de sua história de resistência.  

Devido a sua elevação, a construção de 409 metros quadrados ocupa lugar de destaque na praça principal de Mirandela. Suas características são típicas das catedrais jesuíticas, com três naves cobertas por telhado de duas águas. A partir das intervenções realizadas pela CONDER, a Igreja da Ascenção do Senhor deve estar pronta para testemunhar mais alguns séculos de história.  

Termos